Liberdade de ser Mulher – Tire a sua armadura

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Quando digo que somos netas de mulheres que não foram livres, não é metáfora, é história.

Até 1962, no Brasil, uma mulher não podia abrir conta bancária, trabalhar sem permissão, registrar empresa, viajar sozinha ou administrar os próprios bens. E só em 1988 a igualdade jurídica entre homens e mulheres foi reconhecida.

Isso não é passado distante, é ontem. É agora. E o corpo sabe disso melhor do que a mente. E eu me pergunto: “O que faz uma menina quando vê sua mãe enfrentar o mundo sozinha?”

Ela promete, em silêncio: eu não quero ser assim. E então corre.

  • Corre para o outro extremo.
  • Se afasta do feminino.
  • Se aproxima da performance.
  • Troca ciclos por metas.
  • Troca o colo pelo controle.
  • Troca a sensibilidade pela força.
 

Em 2021, após a pandemia, resolvemos nos mudar para a Inglaterra, o país dele agora se tornou a minha nova casa.

Nessa jornada fiz e venho fazendo um mergulho profundo no autoconhecimento que me levou às terapias holísticas, ao conhecimento sobre constelação familiar e psicogenealogia, culminando em uma pós-graduação em psicologia positiva e neurociência.

O que me dar base, para hoje realizar o trabalho de mentoria com mulheres imigrantes pela Europa.

O conhecimento nas estruturas de projetos e negócios, junto com a análise dos desafios emocionais que envolve o estabelecer de um negócio em outro país, faz com que eu consiga trazer mais conhecimento e clareza para as minhas mentoradas. Trabalho hoje numa empresa britânica na área de RH, na área de análise de dados.

Tem também mentorias de negócios para mulheres e também atuo como voluntária no Grupo Mulheres do Brasil núcleo Irlanda e Londres.

Para finalizar tenho participação ativa, voluntariando no Frente Brazucra (grupo de brasileiros conhecido por resgate) durante a crise na Ucrânia, na área de logística de resgates de sobreviventes da guerra.

E nós?

Somos uma geração de mulheres
brilhantes… e exaustas.

Produtivas, ansiosas, perfeccionistas, que
precisam ter o controle de tudo.

Conquistadoras e sem descanso.

Vivas. Mas desconectadas do ser feminino.

Há um silêncio no Brasil que não aparece no
jornal: o ventre está mudo.

Segundo a OMS (2017), o Brasil lidera o
ranking mundial de ansiedade, com 9,3% da
população.

Por trás da infertilidade existe um país de
mulheres cansadas e sobrecarregadas.

Hipercompetentes.

Que salvam todos, menos elas mesmas.

Não falta óvulo. Falta espaço interno.

A ordem da vida é simples: primeiro paz,
depois corpo, depois ventre, depois vida.

Mas ninguém nos ensinou a descansar.

E sem descanso, o ventre não abre.

Talvez você não perceba, mas até aqui você
esteve mergulhada em frases que se
repetem há décadas na sua mente.

Na Europa, esse número cai para 4,2%.

Alerta constante não cria vida, cria sobrevivência.

O corpo em guerra não é capaz de gestar: Prioriza fuga, luta ou congelamento.

É biológico. É reptiliano. É proteção.

Por isso, é impossível gerar e criar em meio à guerra interna.

Na fertilidade, os números são ainda mais duros: mulheres em tratamento apresentam depressão até quatro vezes maior do que a população geral, em 40% a 50% dos casos (Harvard Medical School & ASRM, 2020).

Depressão pede sobrevivência.

Gestação pede esperança.

O falatório interno ainda está dentro de
você, validando quem você é hoje.

Quem foi que disse que você não daria
certo?

Quem foi que disse que você nunca teria
sorte no amor?

Quem foi que disse que você faz tudo
errado, que não sabe lidar com o dinheiro,
que nas mulheres da sua família 
“nunca dá
certo”?

Até aqui, você carregou dentro de si uma
criança ferida que precisou, desde muito
cedo, não dar trabalho.

E por isso se calou.

E por isso aceitou.

Até aqui, você carregou mágoas e um peso enorme em relação às mulheres da família. E por lealdade, veio repetindo as mesmas experiências.

Até aqui, você conviveu com feridas de abandono, injustiça e traição, sobretudo em relação ao masculino. E ao ver o sofrimento da sua mãe, jurou que nunca viveria o mesmo.

Hoje, você carrega um feminino ferido, cheio de ressentimento, culpa e vergonha… e luta para dar certo na vida.

Todas essas dores comprimiram o seu verdadeiro potencial feminino.

Há um poder interior que precisa ir para fora, para viver o prazer de viver, amar e ser amada, e experimentar a verdadeira prosperidade.

Há poder no desfrute.
Há poder na alegria.
Há poder na celebração da vida.
Há um poder dentro de você. Essa mulher
pede liberdade e está pedindo para sair.

Para viver o amor.

Para viver a realização.
Para viver seus sonhos e desejos.
Para entregar-se sem medo de ser feliz.
O tempo de estar aprisionada acabou.
A liberdade feminina fala sobre tomar
posse da própria vida e saber que:
É seguro ser feliz.
É seguro receber amor.
É seguro sentir prazer.
É seguro prosperar.
É seguro ter dinheiro sem medo deperder.
É seguro gestar, amar e viver o sucesso.
É nesse lugar que mora a sua verdadeira
versão, a mulher que cria e multiplica
tudo o que toca.
É nesse lugar que ocorrem as curas e
que se abre o campo fértil guiado pelo
coração.
É o lugar tanto de esperar de novo
quanto de deixar ir o que não cabe mais.
É o lugar do amor.
Da vida.
Da fertilidade.

Da abundância no descanso.
No seu útero está a chave desse poder criador.
É possível amar e ser amada, e ser mulher.
É possível ser mãe e ser feliz.
É possível ser bem-sucedida e ser mulher.
É possível construir uma família e ser mulher.
É possível sentir prazer e ser mulher.
É possível confiar na experiência de ser mulher.

E eu preciso te dizer com honestidade: a liberdade feminina não é uma bandeira, mas sim tomar posse do seu lugar como filha, mulher, esposa, empresária e mãe.


Ela não acontece apenas quando podemos fazer tudo, mas quando podemos finalmente ser tudo aquilo para o que fomos chamadas a ser. A essência criadora que nos fez perfeitamente para criarmos e gerarmos nações inteiras.

Talvez você esteja aqui lendo este artigo acreditando que ele é apenas para mulheres que desejam gerar filhos, mas não é só sobre isso. Aqui, eu estou falando sobre gerar a si mesma.

Sobre libertar a mulher que pede para sair, que pede para respirar, que pede para existir.

Gerar essa mulher é cuidar.
É amar.
É autoaceitação.
É autoperdão.
É autoestima.

Porque quando essa mulher se descobre, quando encontra seu próprio tesouro, ela é capaz de gestar, cria e multiplica tudo o que toca. Ela se torna fértil em todas as direções da vida.

A liberdade chega quando tomamos posse da mulher em nós: da menina, da adulta, da mãe, da esposa, da empresária, da que cria e multiplica tudo o que toca.

Essa é a mulher liberta: a que vai amar e ser amada, sem medo de ser inteira. A que vai viver relacionamentos saudáveis e duradouros.

A que vai poder, sim, gestar e descansar dentro do casamento, porque ao seu lado, existe um homem que fica, que sustenta, que olha e que protege.

Porque o verdadeiro feminino não expulsa o masculino. Ele o convoca.

E é nesse lugar que a vida floresce.
É nesse lugar que o ventre descansa.
É nesse lugar que a mulher se realiza.
Essa é a liberdade que todas nós procuramos.
Não a liberdade da superfície, mas a liberdade da alma.
Não a liberdade do fazer, mas a liberdade do ser.
E no mais íntimo, nenhuma de nós quer apenas sobreviver.

Queremos criar.
Queremos amar.
Queremos gerar.
Queremos permanecer.
Porque o tempo de gerar começa agora!