Suíça acolhe 88 mil brasileiros

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O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou o “Relatório Consular Anual 2025” (RCA 2025), documento que traça um retrato da presença brasileira no exterior e da atividade desenvolvida pela rede diplomática e consular. Entre os países europeus, a Suíça continua a ocupar um lugar de destaque, acolhendo atualmente cerca de 88 mil brasileiros, distribuídos sobretudo pelas áreas consulares de Zurique, com aproximadamente 49 mil residentes, e Genebra, responsável por uma comunidade estimada em 39 mil brasileiros, confirmando o país como um dos principais destinos da diáspora brasileira na Europa. O primeiro destino no velho continente é Portugal.

Os números agora divulgados demonstram também a forte procura pelos serviços prestados pelos consulados brasileiros em território suíço. Em 2025 foram emitidos 286 atestados de vida, 503 registos de casamento e 781 procurações, o que coloca a Suíça entre os países europeus com maior volume de serviços administrativos prestados pela rede diplomática brasileira.

A importância da Suíça no panorama da diáspora brasileira vai, contudo, muito além dos indicadores estatísticos. Em entrevista recente à nossa reportagem, o vice-cônsul do Brasil no Consulado Geral do Brasil em Genebra, Evaristo Nunes, sublinhou que o aumento da comunidade tem sido acompanhado por uma forte intensificação da atividade consular.

“Nós estamos crescendo, nós praticamente dobramos a quantidade de serviços consulares, o que só reforça a necessidade de um serviço presente e de qualidade”, realçou.

Segundo este diplomata, a comunidade brasileira instalada na Suíça caracteriza-se pela sua enorme diversidade social e profissional, integrando trabalhadores de diferentes setores de atividade, empresários, profissionais de saúde, investigadores, artistas e estudantes.

“Temos uma comunidade extremamente diversa, com um perfil heterogéneo. Temos desde banqueiros, pessoal do trabalho doméstico, médicos, escritores. É uma comunidade muito plural, que nos impõe um desafio imenso de preparação”, explicou Evaristo Nunes, que destacou também o elevado grau de integração dos brasileiros na sociedade suíça, observando que “muitos possuem dupla nacionalidade” e que “existe uma convivência muito próxima com outras comunidades lusófonas, particularmente com a portuguesa”.

“Os portugueses, como são imigrantes, e nós, brasileiros, também somos imigrantes, acaba que a aproximação é muito natural. Há muitos casais entre brasileiros e portugueses. É uma dinâmica muito orgânica”, referiu.

Para o nosso entrevistado, o crescimento da comunidade obriga a um reforço permanente da capacidade de resposta dos serviços diplomáticos. Atualmente, o Consulado-Geral do Brasil em Genebra desenvolve ações de itinerância consular, procurando aproximar os serviços das comunidades residentes fora da cidade, nomeadamente em Lausanne e noutras regiões da Suíça francesa.

Segundo explicou à nossa reportagem, o objetivo passa por garantir que o aumento da emigração seja acompanhado por uma maior preparação dos cidadãos brasileiros para a vida no exterior.

“A nossa intenção aqui é exatamente que a integração e a emigração sejam ótimas, mas que também a imigração seja bem resolvida”, afirmou.

O vice-cônsul brasileiro alertou ainda para a importância de preservar a identidade cultural das novas gerações da diáspora brasileira, considerando que este será um dos principais desafios da diplomacia consular nos próximos anos.

“Temos hoje uma preocupação muito grande com a próxima geração de brasileiros emigrados. Língua, cultura, comunidade, tudo isso importa. Porque quem não tem raiz cai. Quem não tem raiz tomba”, salientou.

Paralelamente ao trabalho desenvolvido pelos consulados de Genebra e Zurique, o “Relatório Consular Anual” mostra que a Suíça continua integrada na estratégia de modernização da rede consular brasileira, acompanhando o crescimento da comunidade residente e reforçando a prestação de serviços, a assistência aos cidadãos e a promoção dos vínculos entre o Brasil e os seus nacionais no exterior.

Ao longo do documento, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil conclui que a evolução da comunidade brasileira residente na Suíça confirma a importância estratégica do país para a política consular brasileira, reforçando a necessidade de continuar a investir na proximidade com os cidadãos, na modernização dos serviços e na proteção das comunidades emigrantes, num dos principais polos da diáspora brasileira na Europa.

Ígor Lopes