
Natural de Lisboa, Ana Bela Neo Braz nasceu a 4 de fevereiro de 1959 e construiu na Suíça a parte central do seu percurso pessoal e profissional. Aos 67 anos, está reformada, depois de ter trabalhado como vendedora e chefe de sala, funções através das quais assegurou a sua autonomia e reuniu condições para criar os filhos. Vive hoje Horn, uma comuna da Suíça, no Cantão Thurgau, com cerca de 2.320 habitantes.
Concluiu o 12.º ano de escolaridade e mantém pouca família em Lisboa. A sua vida familiar está hoje concentrada na Suíça, onde vive com toda a família presente, incluindo os dois filhos, netos, irmã e sobrinhos. Esta proximidade ajuda a explicar por que razão não sente a distância de Portugal com a intensidade que marca a experiência de outros emigrantes.
Esta cidadã portuguesa descreve como “muito boa” a sua vida no país e considera que os cidadãos portugueses são “bem recebidos pela sociedade suíça”. Embora mantenha algum contacto com a comunidade portuguesa, não frequenta regularmente associações ligadas à diáspora.
A experiência de Ana integra uma das maiores comunidades estrangeiras residentes na Suíça. Segundo o Departamento Federal dos Negócios Estrangeiros suíço, vivem no país quase 255.500 cidadãos portugueses, que constituem o terceiro maior grupo de estrangeiros. A presença desta comunidade tornou-se também um dos elementos centrais das relações entre Portugal e a Suíça. As autoridades suíças destacam os laços históricos, humanos e económicos existentes entre os dois países.
Para Ana, a Suíça representa mais do que o país de acolhimento. Representa a vida que conseguiu construir e as condições que encontrou para educar os filhos. A emigrante destaca o “acesso à educação e aos cuidados de saúde entre os aspetos que mais valoriza no seu percurso”.
Portugal continua a ser o seu país, mas deixou de ocupar o centro da sua vida quotidiana, razão pela qual “raramente regressa” e “prefere aproveitar esta fase” para conhecer outros destinos. Não equaciona voltar a viver em território português, embora defenda a criação de mais oportunidades para os emigrantes que pretendem regressar.
As diferenças entre os dois países são, na sua perspetiva, medidas pelas condições concretas de vida. Foi na Suíça que encontrou estabilidade para criar os filhos sozinha, construir uma carreira e preparar a reforma. Por isso, quando lhe perguntam o que aquele país significa, responde de forma direta: é a sua vida.
O futuro é encarado sem planos de regresso nem projetos distantes. Ana espera viver cada dia com saúde e continuar a conhecer o mundo. A sua ligação à Suíça já não se resume à trajetória de uma portuguesa que partiu. É a história de alguém que encontrou no país o espaço para estabelecer raízes.
A experiência de Ana Bela Neo Braz mostra que o coração de um emigrante “nem sempre permanece dividido entre o país de origem e o país de residência”. No seu caso, a resposta está na família e na vida construída ao longo dos anos. Como resume, “o seu coração está onde vive com os filhos”.
Ígor Lopes






