Spirit of Brazil: O Evento que Selou uma Nova Ponte Cultural entre Brasil e Escócia

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Do Consulado Geral, Fernanda Dal Ser brasileira vivendo na Escócia é aprender que o mundo é feito de encontros improváveis que, quando acontecem, parecem sempre ter sido destino. É caminhar entre castelos e montanhas e, ainda assim, sentir o coração bater no compasso do Brasil. Por isso, participar do evento Spirit of Brazil foi mais do que prestigiar uma celebração cultural, foi testemunhar como dois países tão distintos podem se reconhecer, se admirar e se entrelaçar de maneiras profundas.

Organizado pelo Cônsul Honorário do Brasil em Glasgow, Faroque Hussain, filho de mãe brasileira e um verdadeiro embaixador da cultura luso-brasileira na Escócia, o evento reuniu história, tradição, inovação e emoção. Com o apoio do Consulado-Geral do Brasil em Edimburgo, representado pela encarregada Piaz, e do Instituto Guimarães Rosa, a celebração se tornou um marco para a comunidade brasileira que vive aqui.

E que momento para celebrar essa conexão. Em um ano em que Brasil e Escócia se encontrarão em campo, em Miami, pela Copa do Mundo, este evento antecipou um encontro ainda mais simbólico: o da cultura, da memória e da identidade.

Um dos pontos mais emocionantes foi o lançamento do Tartan Oficial Brasileiro, agora registrado no Scottish Register of Tartans. Um gesto histórico. Um símbolo que eterniza a presença brasileira na Escócia de forma oficial e respeitosa. E o mais bonito é que essa padronagem nasceu da imaginação de Indie Menzies, uma menina de apenas seis anos, aluna de uma escola primária em Largs, cidade vizinha ao Kelburn Castle, onde um grafite criado por artistas brasileiros já havia deixado sua marca anos atrás.

Há algo profundamente poético nisso: uma criança escocesa criando o tartan que representa o Brasil. Como se o futuro estivesse dizendo que essa amizade entre as duas nações já está plantada nas novas gerações.

A Slanj Kilts deu vida ao tartan, lançando uma coleção completa que une tradição escocesa e alma brasileira. Ver o verde, amarelo e azul entrelaçados na estrutura clássica de um tartan é como assistir a duas culturas dançando juntas, cada fio contando uma história.

E as conexões não param por aí. A região de Largs tem um vínculo direto com o passado brasileiro: foi ali perto que nasceu John Miller, o pai de Charles Miller, o homem que levaria o futebol moderno ao Brasil. John Miller nasceu em Fairlie, na costa oeste da Escócia, antes de emigrar para São Paulo como engenheiro ferroviário. Seu filho, Charles, se tornaria o pai do futebol brasileiro, responsável por introduzir o esporte no país, organizar o primeiro jogo oficial e fundar a Liga Paulista, que daria origem ao Campeonato Paulista.

É impossível não se emocionar ao perceber que, muito antes de Brasil e Escócia se enfrentarem em campo, seus destinos já estavam conectados.

O evento também celebrou essa união através dos sabores. Foram apresentados dois whiskies especiais: um criado pela destilaria brasileira Lamas e outro pela escocesa 8 Doors Distillery. Dois mundos líquidos que se encontram no copo, cada um trazendo sua terra, seu tempo e sua tradição. E, para completar, uma cachaça criada pela Casa Studart, especialmente para homenagear o evento, um brinde à criatividade e ao orgulho brasileiro.

Mas talvez o gesto mais bonito tenha sido o propósito por trás de tudo isso: apoiar a International Play Association (IPA) Brasil e Escócia, que defende o direito fundamental da criança de brincar. Os lucros do evento serão destinados a garantir que crianças dos dois países tenham acesso ao brincar livre, seguro e respeitado. E isso diz muito sobre quem somos, brasileiros, escoceses, imigrantes, cidadãos do mundo. Porque quando cuidamos das crianças, cuidamos do futuro.

Ao final, saí com o coração cheio. Não apenas pela beleza das apresentações, dos lançamentos e das homenagens, mas pela certeza de que existe, sim, um pedaço do Brasil na Escócia vivo, pulsante e cada vez mais reconhecido. Um pedaço que se manifesta na cultura, na história, nos encontros e nas pessoas que constroem pontes todos os dias.

E eu, como brasileira que escolheu a Escócia para viver, me senti parte dessa história. Uma história que honra o passado, celebra o presente e abre caminhos para o futuro.